ALUNOS NÃO APROVAM METODOLOGIA DE ENSINO DO CONSERVATÓRIO DE TATUÍ

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 O maestro Adriano Machado informa que a composição da antiga Orquestra Sinfônica possuía 67 músicos, com 70% de profissionais e 30% de bolsistas. Esta era a formação: Naipe de cordas: 20 violinos, 8 violas, 8 cellos e 4 contrabaixos. Naipe de Madeiras; 3 flautas, 2 oboés, 1 corningles, 3 clarinetas e 2 fagotes. Naipe de metais: 5 trompas, 3 trompetes e 1 tuba. Naipe de percussão: 3 percussionistas e 1 timpanista.

 A Sustenidos apresenta uma orquestra com com 28 bolsistas: 1 clarinete, 2 contrabaixos acústicos, 2 flautas, 2 percussões, 1 trombone, 3 trompas, 1 trompete, 1 tuba, 4 violas, 3 violinos e 5 violoncelos.

Dia 15 de abril, uma reunião do diretor artístico Renato Rangel com alunos bolsistas do Conservatório de Tatuí criou um clima de descompasso e o método apresentado não se afina com as expectativas que os alunos esperam da escola de música. Quem afirma são pessoas que ouviram as queixas, principalmente quando Rangel disse que a banda só será composta por alunos e não mais com os professores e monitores. Esta metodologia de ensino muda completamente o modo de ensinar música que sempre deu certo na história do Conservatório.  Consta que um bolsista, quando o diretor artístico anunciou a nova metodologia, disse que neste formato não há nenhum sentido, se não houver a participação de profissionais e professores. Ele argumentou que os alunos perdem uma importante referência para o aprendizado dos instrumentos. O anúncio de Renato Rangel não foi bem aceito e houve questionamentos entre os participantes, com a promessa de queixa na Ouvidoria do Estado. Na segunda-feira (19), houve reunião separada com todos os grupos musicais. Pelo que consta, não houve mudança no comportamento da direção artística. Não decidiram se os monitores de prática de conjunto participarão com os alunos, mas aventou-se a hipótese de ser contratados músicos de fora do Conservatório para atuar nos grupos musicais.

Desde janeiro de 2021, o Conservatório Dramático e Musical “Dr. Carlos de Campos” de Tatuí é administrado pela Organização Social “Sustenidos”, especializada em inicialização musical e responsável pelo “Projeto Guri”, mantido pela Secretaria de Estado da Cultura.  No final de 2020, houve grande celeuma quando o secretário estadual da Cultura, Sérgio Sá Leitão, decidiu descredenciar a “Abaçaí Cultura e Arte”, organização social que mantinha contrato para administrar o Conservatório até 2024. Esta interferência da secretario da Cultura no destino da escola de música tatuiana tomou um grande vulto e repercutiu na Prefeitura e na Câmara Municipal de Tatuí.

A prefeita Maria José Vieira de Camargo, preocupada com o destino da escola, interferiu diretamente junto ao Governo do Estado, a fim de proteger a qualidade do ensino ministrado no Conservatório. Em uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, com a participação do secretário estadual Marco Vinholi, da pasta de Desenvolvimento Regional, ficou acertado que os deputados Samuel Moreira (federal) e Damaris de Moura (estadual) destinariam emendas parlamentares no valor de R$ 3 milhões para equilibrar o orçamento do Conservatório de Tatuí em 2021.

A grande preocupação da prefeita era manter a performance musical, e na época, em uma declaração pública, ela deixou claro que não iria permitir demissões e o Conservatório  não deveria regredir na qualidade de ensino. Mas pelo que se observa com as informações que chegam ao Jornal Integração, a desavença na reunião da quinta-feira (15), entre o projeto do diretor artístico Renato Rangel e sua não aceitação por parte dos bolsistas, mostra claramente que haverá uma mudança, que poderá resultar em um retrocesso no sistema de ensino, em relação àquele sempre ministrado no Conservatório. Outra questão que chega à imprensa é a falta de diálogo de uma pessoa ligada à direção e que ocupa relevante cargo no Conservatório. Segundo consta, quando algum professor a questiona sobre equívocos da nova metodologia de ensino adotada, a resposta é sempre a mesma: “esta é a forma que a Sustenidos estabelece”.

 Nos bastidores, outro fato que causa apreensão refere-se aos professores de Tatuí. Alguns estão desmotivados, porque recebem críticas da coordenação da escola, e esta só valoriza músicos de São Paulo. O mais grave problema é a nova forma de compor a Orquestra Sinfônica, considerada “a jóia da coroa” do Conservatório. Esta orquestra foi regida pelos maestros Spártaco Rossi, Dario Sotelo Calvo, Adriano Machado e, por último, por Edson Beltrami, músico de renome internacional, que integra o projeto do maestro Antonio Carlos Martins. A informação é que há poucos bolsistas na escola, e na área de cordas, só três candidatos de violinos se inscreveram para participar da orquestra.

Uma fonte, que acompanha o desenrolar da situação, observa que mais de seis décadas de luta para transformar o Conservatório na mais renomada escola de música do País podem se desintegrar e, em breve, a cidade vai ter o projeto “Gurizão”, referência irônica ao “Projeto Guri”, que a Organização Social “Sustenidos” administra com a Secretaria de Estado da Cultura.

O Jornal Integração entrou em contato com o Departamento de Comunicação, relatou o fato e ofereceu espaço para que a direção da Sustenidos se manifeste. Segundo o departamento, a solicitação foi encaminhada para flautista Claúdia Freixadas, responsável pela Superintendência Educacional.

Na segunda-feira (19), a redação recebeu a seguinte nota de esclarecimento:

Ao Jornal Integração
Ref.: Formação dos Grupos Artísticos de Bolsistas

No intuito de ampliar cada vez mais as oportunidades de participação e protagonismo de alunos e alunas, a reformulação dos Grupos Artísticos de Bolsistas para 2021 permitiu que aumentássemos o número de bolsas concedidas de 145 para 206 neste ano 2021, além de destinar recursos específicos para a participação de artistas convidados em apresentações e/ou gravações com cada um dos grupos. Professores e monitores continuarão realizando as atividades de preparação e apoio aos(às) alunos(as),e também poderão participar de apresentações como convidados.

Atenciosamente,

A Direção

PROJETO DA “SUSTENIDOS” PODE FAZER

CONSERVATÓRIO VOLTAR À DÉCADA DE 90

Ao tomar conhecimento do método pedagógico que a Organização Social “Sustenidos” pretende instalar no Conservatório, o Jornal Integração consultou o maestro Adriano Machado, participante do modelo pedagógico de ensino musical que o diretor Antonio Carlos Neves Campos, já falecido, implantou na escola de música na década de 1990.

Adriano informa que, naquela época, o objetivo do projeto musical foi transformar o Conservatório de Tatuí em uma escola de música referência no Estado de São Paulo. E para concretizar esta meta, a direção, composta por músicos experientes e até de renome internacional, alinhou a escola com inovadoras metodologias de ensino e os programas mais atualizados no mundo musical. Esta linha de conduta sempre foi voltada aos alunos, do início ao final do curso, proporcionando experiência completa como músico profissional.

Lembra o maestro Adriano Machado que o diretor Neves, em sua gestão, preocupava-se desde a iniciação musical, passando pelos níveis iniciante, intermediário e avançado. Esta metodologia, além de tornar a escola tatuiana diferenciada e de alta performance musical, inseria o aluno na experiência completa do músico. Dentro desse processo, o aluno sempre estudou o repertório do seu instrumento, participava em cada nível de ensino de uma orquestra ou grupo musical, com meta sempre voltada para seu grau de aprendizado.

Mudanças benéficas – A partir de 1991, o Conservatório dedicou sua nova metodologia para grupos iniciantes (grupos infantis) e intermediários, na base com grupos infanto-juvenis e no topo uma Orquestra Jovem. E as mudanças também foram dirigidas ao nível avançado, neste estágio, com a Orquestra de Câmara, sob a regência e responsabilidade de Adriano. Este foi o primeiro grupo a atuar na escola com profissionais e alunos no teatro. Em 1993, a nova metodologia foi adotada com a Orquestra de Sopros, regida pelo maestro Dario Sotelo. Em 1996, o novo método pedagógico cria no Conservatório a Orquestra Sinfônica Paulista, com Dario Sotelo e, posteriormente, com o maestro Adriano Machado. A partir desta experiência, considerada bem sucedida, outros grupos foram profissionalizados e resultou na formação do Coral “Da Boca pra Fora”, “Orquestra Sam Jazz” e “Octopus de Violões”.

O maestro Adriano Machado explica que a nova metodologia de ensino musical, além de formar grupos profissionais, deu oportunidade ao aluno de participar de grupos constituídos por 70% de profissionais e 30% alunos bolsistas que estavam na fase avançada dos seus instrumentos. Para o maestro, o novo músico completava seu ciclo de aprendizado e atuava ao lado de profissionais, com repertório de alto nível. O professor era estimulado a tocar em alto nível o tempo todo e esta atuação refletia em um melhor resultado, até mais atualizado do que se estivesse em sala de aula.

Adriano explica que esse ciclo durou de 1991 a 2008, e esses grupos passaram a representar o resultado de uma escola de ensino musical vibrante, cheia de vigor e energia. Para o maestro, incontestavelmente esta mudança no Conservatório de Tatuí levou ao crescimento em nível musical. E o resultado deste trabalho, com a participação conjunta de professores e alunos, influencia até hoje gerações de músicos e escolas por todo o País.

O maestro Adriano Machado disse ao Jornal Integração que prefere discorrer apenas sobre o período em que permaneceu no Conservatório. Ele continua a desenvolver sua carreira como maestro, violinista e educador. Sua formação musical, no momento, dá oportunidade para que atue na área de composições, orquestrações e empreendedorismo musical. Depois de passar pelo Conservatório, o maestro participa também de produções musicais em teatros prestigiados do Brasil. Ele diz que sua experiência musical, conquistada desde os 15 anos como aluno da escola tatuiana, o credencia em participar de grandes produções de música clássica, no cenário musical popular e ainda em concertos cinematográficos.


TATUIANO É O MAESTRO OFICIAL

DA “DISNEY MUSIC GROUP”

O tatuiano Adriano Machado é o maestro oficial dos “Cines-Concerts” no Brasil e na América Latina, com a aprovação da “Disney Music Group”. Este reconhecimento veio em razão da atuação do maestro na regência dos “cines-concerts” cinematográficos “Brazil Star Wars”, “The Lord Of The Rings”, “The Fekkoship of The Ring” e “Kingdom Hesrts Orchestra Brazil”.

A carreira de Adriano, com todo o seu aprendizado no Conservatório Dramático e Musical “Dr. Carlos de Campos” de Tatuí, é coroada de êxito como arranjador musical, diretor artístico, maestro, violinista, diretor de gravação, compositor de arranjos orquestrais para vários CDs e DVDs e como regente de  turnês e shows com diversos artistas.

Um de seus trabalhos é o CD “Amizade Sincera II”, com Sérgio Reis e Renato Teixeira, álbum premiado com o Grammy Latino. Com a participação da Orquestra Sinfônica Villa Lobos, Adriano desenvolve arranjos com o DJ Alok e diz que esta pareceria “revela o poder de uma orquestra no palco”.

Outro trabalho musical de sucesso é “Temple Of Shadoes”, lançado na Europa e no Japão em 2020. Este DVD, com composição do próprio tatuiano, foi gravado em parceria com o maestro Antonio Carlos Martins. O trabalho foi destinado aos 20 anos da “Dell Technologies” no Brasil, campanha vencedora do “Sabre Awards Latin 2020”.

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