NOSSO COMPLEXO DE VIRALATAS E NOSSA DECADÊNCIA

Acabou de ser anunciado o fechamento do alojamento do nosso Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos. Alguém dúvida que é mais um passo no sentido do fechamento da outrora maior e melhor escola de música da América Latina?

Sou dois meses mais novo que o Conservatório, ou seja, crescemos juntos. Eu na minha rotina de homem comum, mas atento a importância daquela escola de música, e ele se transformando em uma instituição gigante, para orgulho de todos.

 Nas últimas décadas sempre me incomodou a passividade da nossa gente, em especial daqueles que dirigem a cidade, – políticos e “iluminados”– aqueles que se orgulham do sobrenome e do “berço”. O que se observa é uma resiliência impressionante diante das perdas da cidade: não se mobilizam para nada, a não ser para manter o status quo e o pequeno poder o qual se locupletam.

Vamos começar pelas conquistas garantidas que não chegaram e hoje afetam nossas vidas: quem não se lembra das sete novas entradas para cidade quando da audiência pública para “debater” a duplicação da SP127?  Estão sendo privatizadas? Só os que eram muito jovens não viram, mesmo esses ouviram falar. Para onde foram nossos trevos? O gato comeu?

Igualmente grave são as conquistas já instaladas e que foram retiradas ou “roubadas” de nós. Indigna quem nasceu aqui, quem adotou a cidade para viver e tem por Tatuí a ternura que ela deveria corresponder através da luta de suas autoridades que, ao contrário, naturalizam nossas perdas.

Esse processo começou lá atrás com nossa faculdade de educação física que formou apenas uma turma, antes da instalação do mesmo curso na cidade de Itapetininga (que não tem nada com isso – está na dela).  A nossa encerrou as atividades.

Alguém me explica, por favor!

Tivemos uma Delegacia Seccional de Polícia que nos dava uma melhor condição financeira, inclusive de articular políticas de melhorias na segurança dos nossos cidadãos. Foi fechada. Tínhamos a Delegacia de Ensino que organizava a condução da educação à nível regional. O governo do estado fechou.

Tatuí perdeu.

O IML – Instituto Médico Legal, o governo do estado também fechou em Tatuí. Agora, em um momento de dor de nossas famílias temos que aguardar muitas horas para poder velar e chorar nossos queridos quando eles nos deixam. Primeiro eles vão para Itapetininga.

Hoje sofremos mais um golpe no nosso Conservatório. Vão fechar o alojamento dos alunos, mais um passo no desmonte que temos acompanhado e, pior, com poucas vozes de protesto e uma passividade covarde de quem deveria resistir.

O governo de São Paulo vem levando a maioria dos nossos votos em décadas e nos retribui delapidando e saqueando bens preciosos da nossa população, tirando a qualidade de vida do nosso povo em nome de uma suposta economia (sic), que na verdade é pura falta de empatia e representatividade política. Ao menos eu entendo assim, só não posso aceitar esse “complexo de vira latas” de quem vocifera aqui e mia diante dos poderosos.

Eu pergunto se essa conivência é deliberada, qual interesse? Ou é pura covardia?

Cada um que responda como entender.

Eu só lamento que ao continuarmos com esse medo do enfrentamento, com essa mediocridade entre nós, que o caminho para nos tornarmos uma cidade dormitório vem sendo encurtado ano a ano. Esse futuro é logo ali.

Não é do ano passado ou da administração passada apenas a responsabilidade, nem só da atual. É muito de todas elas que, por ação ou omissão, se curvaram diante dos poderosos, mostrando o bumbum ao povo que se sente impotente e com baixa autoestima.

Resta mais uma vez que a sociedade civil organizada e os movimentos sociais conscientes do tamanho das derrotas a nós impostas, reajam. Porque se esperarmos da atual prefeitura ou dos governos estaduais – nossos predadores há décadas – caminhamos para voltar à condição de sesmaria, ou, quando muito, à Vila de Tatuí.

José Norbal de Moraes Marques

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