“UM GRAVÍSSIMO ÊRRO DO GOVERNO PAULISTA, QUE REVELA, COM ESSE GESTO DE OFENSIVO DESAPREÇO PELO INALIENÁVEL PATRIMONIO CULTURAL DO POVO DE TATUÍ, DE NOSSO ESTADO E TAMBÉM DO BRASIL, UM ATO DE INSENSÍVEL TRANSGRESSÃO, DE INACEITÁVEL DESRESPEITO E DE ODIOSO ATENTADO AO VALOR DA CULTURA E À PRÓPRIA AUTORIDADE DA CONSTITUIÇÃO, QUE IMPÕE AO PODER PÚBLICO A OBRIGAÇÃO POLÍTICO-JURÍDICA DE GARANTIR A TODOS “o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional”, ALÉM DO DEVER DE APOIAR E INCENTIVAR “a valorização e a difusão das manifestações culturais” (art. 215).
O MOVIMENTO DE PROTESTO DA COMUNIDADE – INJUSTAMENTE DESRESPEITADA E PROFUNDAMENTE FERIDA POR ESSA INCOMPREENSÍVEL RESOLUÇÃO DO GOVERNO ESTADUAL DE SÃO PAULO – ENFATIZA, COM INTEIRA RAZÃO, A SUA LEGÍTIMA INDIGNAÇÃO, DESTACANDO QUE, “Sem a moradia, e todos os recursos que o alojamento oferece (água, luz, gás, internet, utensílios domésticos e estadia), os estudantes, que em sua maioria são de outros estados e países, não conseguirão se manter em seus cursos, podendo haver uma grande evasão. Cursos podem ser extintos e áreas prejudicadas. O cenário atual é grave e impacta diretamente no futuro do Conservatório de Tatuí” !!!!
O POVO DE TATUÍ, POR SEUS CIDADÃOS E POR SEUS REPRESENTANTES, NA CÂMARA DE VEREADORES E NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, TEM TODO O DIREITO DE REIVINDICAR A REVOGAÇÃO DE TÃO ULTRAJANTE DELIBERAÇÃO DO GOVERNO PAULISTA !!!! “
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Nota da Redação – Muitas pessoas podem estranhar esta tomada de posição do ministro aposentado Celso de Mello (STF), em relação ao despejo dos alunos do Conservatório, pelo Governo do Estado. A direção do Jornal Integração entende que é uma atitude normal do ministro tatuiano. Em 24 de dezembro de 1975, quando este semanário circulou pela primeira vez, Celso era Promotor Público e ocupava o cargo de assessor jurídico do empresário José Mindlin, então competente secretário estadual da Cultura. Na sua carreira no Ministério Público, o cargo ocupado pelo tatuiano, embora honroso, nunca foi de glória para sua carreira. Na verdade, era uma punição por ele enfrentar, com destemor e como Promotor Público, o sistema ditatorial que assolava o Brasil. Ao ascender para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), por mérito próprio e notável saber jurídico, foi tolhido, por questões éticas, de intervir em determinados assuntos jurídicos e políticos, pertinentes ao alto cargo que ocupava. E chegou a chefiar o Poder Judiciário do Brasil, como presidente da Suprema Corte (1997/1999). Mas, nem por isso deixou de atender as demandas necessárias, de cidadãos injustiçados de Tatuí. Outro ato foi sua tomada de posição, em relação aos professores do Conservatório, durante uma administração desta escola de triste memória. Estes músicos também foram “despejados”, por determinação da Secretaria de Estado da Cultura. Neste ato vil, contra o Conservatório, muitos políticos de Tatuí fizeram ouvidos moucos a estes apelos. Mas, a história não vai deixar esquecer. Outro episódio – apenas mais um dos tantos – da sua atuação, para fazer justiça à nossa cidade, foi sua intervenção para construir o novo Fórum, no Bairro Nova Tatuí. O desembargador Celso Limongi, então presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, por razões alheias ao nosso conhecimento, tirou a construção do novo Fórum de Tatuí do cronograma e orçamento do TJSP. O então prefeito Luiz Gonzaga Vieira de Camargo (PSDB), contou este episódio para o diretor do Jornal Integração, e pediu a intervenção do ministro Celso para salvar esta perda irreparável para Tatuí. O ministro tatuiano, amigo do titular da pasta da Justiça do governo José Serra (PSDB) convidou o secretário Luiz Antonio Guimarães Marrey para visitar Tatuí e conhecer as acanhadas instalações onde funcionava o antigo Fórum, na Rua São Bento.. Dr. Marrey, in loco, viu com os próprios olhos, e sentiu a necessidade da nova construção. Em ato inédito no Governo, foi o único fórum do estado de São Paulo, construído com verba da Secretaria de Estado da Justiça. E o prédio lá está no Bairro Nova Tatuí. E o então prefeito Gonzaga obteve o reconhecimento político do Governo do Estado, que a cidade de Tatuí tanto merece em seu desenvolvimento..
(CELSO DE MELLO, Ministro aposentado e ex-Presidente do Supremo Tribunal Federal )

