JORNAL INTEGRAÇÃO ON-LINE – 26-10-2026 (SEGUNDA-FEIRA)
Postagem 26/10/2026 – 8h00
Há vitórias eleitorais cujo significado ultrapassa a conquista de um mandato e se projeta sobre o próprio destino de um país.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva constitui um desses momentos: a vontade popular, manifestada pelo voto, renova a esperança e reafirma o compromisso do Brasil com a democracia.
O resultado das urnas assume, nessa perspectiva, o sentido de uma afirmação cívica contra as tentações autocráticas.
O espírito democrático revela sua força quando a cidadania recusa o medo como instrumento de submissão, repele a intolerância como método de ação política e proclama que o poder somente se legitima pelo respeito à liberdade, à dignidade humana e ao pluralismo.
As mentes sombrias que idealizam uma sociedade governada pelo silêncio e pela obediência encontram, na consciência democrática, um limite que não podem legitimamente transpor.
A República pertence a cidadãos livres, titulares de direitos que precedem e limitam a atuação dos governantes.
Nenhum projeto de poder pode reivindicar autoridade para transformar a divergência em delito, a crítica em deslealdade ou o adversário em inimigo.
É sob essa compreensão que a vitória de Lula adquire especial relevo histórico.
Sua celebração exprime a esperança de que o Brasil preserve a convivência entre os diferentes, proteja os mais vulneráveis e faça da justiça social uma dimensão concreta da liberdade.
Uma democracia se fortalece quando cada pessoa pode reconhecer-se, com igual dignidade, como parte da comunidade nacional.
Essa vitória impõe, também, responsabilidades à altura de seu significado.
A confiança renovada pelo eleitorado reclama grandeza de espírito, abertura ao diálogo, respeito à oposição e fidelidade às instituições.
Os brasileiros que fizeram outra escolha continuam a integrar, em plenitude, o povo em cujo nome o poder será exercido.
Governar a República exige reconhecer essa cidadania comum e assegurar a todos o direito de participar, fiscalizar e dissentir.
A derrota eleitoral das aspirações autoritárias tampouco dispensa a vigilância democrática. A liberdade precisa ser defendida no cotidiano, pela integridade das instituições, pela independência da imprensa, pela educação para a cidadania e pela recusa permanente à mentira e à violência.
O compromisso assumido nas urnas deve prolongar-se na conduta dos governantes e na consciência da sociedade.
Que a força do voto se converta em proteção efetiva dos direitos e em respeito incondicional à Constituição.
Que esta reeleição histórica represente o reconhecimento do compromisso de Lula, ao longo de sua trajetória, com a responsabilidade no exercício do poder, com o fortalecimento dos laços de confiança entre os cidadãos e com a construção de um destino comum, inspirado pela esperança, que aprofunde as conquistas democráticas e renove, na consciência de todos, o respeito à dignidade da pessoa humana.
CELSO DE MELLO
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Uma homenagem a José Thiago, primeiro presidente do PT em Tatuí
DE PRESIDENTE PARA PRESIDENTE
Em 1981, José Thiago era o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), em Tatuí. Ele iniciava a trajetória de uma agremiação política que nunca foi bem sucedida na cidade. Mas, sua credibilidade repousava em um metalúrgico denominado Lula. Em 1982, o petista disputou a eleição para o governo de São Paulo. Foi sua primeira disputa democrática. Não teve o sucesso esperado por Thiago. Eu me lembro até hoje. A apuração foi na A.A. XI de Agosto. O presidente do PT tatuiano saiu cabisbaixo, decepcionado com o resultado das urnas. Foi um golpe muito duro para ele. Alguns meses depois, morreu. Acredito que foi de tristeza. Ele havia me presenteado com um livro, intitulado “Lula sem censura”. E com uma dedicatória, abaixo transcrita:
“Ao José Reiner Fernandes
Com votos que continue sempre informando, com sua peculiar imparcialidade, ofereço este livro, escrito pelo único líder vivo no momento, no cenário político Brasileiro. P.T. Saudações. José Thiago. 10/9/1981″.
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E José Thiago tinha razão. A liderança de Lula continua incontestável até os dias atuais. Ele não viveu para ver Luís Inácio Lula da Silva se eleger quatro vezes presidente da República do Brasil. Um feito inédito na história política desse País. Seu comando da Nação vai superar até Getúlio Vargas, que permaneceu no poder por 15 anos, depois de um golpe de estado. Lula, não. Conquista esses mandatos eletivos, com o sentimento de quem acredita que a democracia é a única forma que leva um presidente ao poder legítimo. Dia 25/10/2026 é mais um marco histórico e essa vitória, mostra mais uma vez, que o Estado Democrático de Direito, consagra a classe política brasileira, liderada por Ulysses Guimarães, de que nosso País possui uma Constituição Federal sólida, respeitada e soberana. A inédita virada no segundo turno, se formaliza graças a uma juventude e estudantes do Brasil. A mobilização popular suplantou, de forma espontânea, as “Diretas Já”. Os jovens ocuparam as ruas, militaram pela democracia, fizeram um levante histórico e elegeram Lula, mais uma vez, Chefe da Nação Brasileira. A responsabilidade do presidente reeleito, pelo voto de confiança e pela força da vontade popular, fica ainda mais previsível. Lula4, para continuar a governar o Brasil, tem o dever cívico de oferecer um governo probo, inserir nosso País no manto sagrado da soberania, cultuar a liberdade dos povos e lutar pela paz mundial.
Jornalista José Reiner Fernandes (Editor do Jornal Integração (1975/2026)
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