“A HONRA DE SER TATUIANO” – ARTIGO DO MINISTRO APOSENTADO CELSO DE MELLO (STF) – ESPECIAL PARA O JORNAL INTEGRAÇÃO ON-LINE – 21/8/2026

Postagem: 21/8/2026 – 9h55

A HONRA DE SER TATUIANO

No ano em que Tatuí celebra o bicentenário de sua fundação, meu espírito retorna, com emoção ainda mais intensa, à minha querida terra natal.

Duzentos anos de história convidam não apenas à celebração, mas também à memória. E, para aqueles que ali nasceram, esse marco adquire uma dimensão profundamente pessoal: é como se a própria história coletiva da cidade se entrelaçasse, por um instante, com a história íntima de cada um de seus filhos.

Ao evocar Tatuí neste ano tão simbólico, não penso apenas na cidade que atravessou dois séculos de transformações, preservando sua identidade e suas tradições. Penso, sobretudo, na terra que me viu nascer, que acolheu os primeiros passos de minha existência e que permaneceu, ao longo de toda a vida, inscrita de maneira indelével em minha memória e em meus afetos.

Celebrar os duzentos anos de Tatuí é, para mim, também celebrar as minhas próprias raízes. É reconhecer, com gratidão e orgulho, que pertencemos para sempre ao lugar onde primeiro aprendemos a perceber o mundo, a construir lembranças e a formar os vínculos que o tempo jamais consegue desfazer.

É, portanto, sob o signo dessa memória, desse pertencimento e dessa profunda afeição que desejo registrar uma convicção que sempre me acompanhou: a honra de ser tatuiano.

Tatuí, para mim, nunca foi apenas a cidade onde nasci: sempre foi — e continua sendo — a morada íntima da minha alma.

Há lugares que o tempo transforma em lembrança; e há lugares que o coração converte em eternidade. Tatuí pertence, para mim, a essa segunda categoria rara e luminosa: não é simples espaço geográfico, mas território interior, pátria da sensibilidade, fonte perene de afetos, de memória e de identidade.

Rever Tatuí é muito mais do que contemplar a terra natal, a terra amada: é reencontrar-me com a parte mais funda, mais pura e mais verdadeira de mim mesmo. É retornar às minhas raízes, às primeiras paisagens da memória, aos afetos inaugurais, àquele universo de emoções que ajudou a formar aquilo que sou.

Em seu nome, em sua imagem, em sua evocação, vive tudo aquilo que o tempo não apagou — a delicadeza das origens, a ternura das recordações, a fidelidade às raízes, a permanência dos vínculos que nem a distância, nem os anos, nem as vicissitudes da vida conseguem desfazer.

E há, para mim, algo ainda maior: a honra de ser tatuiano.

Dizer que nasci em Tatuí nunca foi, em minha vida, simples referência biográfica. É afirmação de pertencimento. É motivo de orgulho. É vínculo afetivo que trago comigo com a mesma naturalidade com que se carrega o próprio nome.

Tenho orgulho de ser tatuiano porque reconheço, nessa origem, uma parte indissociável da minha própria formação humana. Tatuí deu-me muito mais do que o lugar do nascimento: deu-me raízes, memória, referências, afetos e aquela primeira noção de pertencimento sem a qual ninguém compreende inteiramente a própria trajetória.

Há honras que nos são conferidas ao longo da vida; há outras, porém, que recebemos no instante mesmo em que chegamos ao mundo. Entre estas últimas, incluo, com profunda emoção, a graça e a honra de haver nascido em Tatuí.

Porque ser tatuiano, para mim, significa pertencer a uma história, a uma comunidade, a uma tradição de afetos e valores que atravessa gerações. Significa reconhecer-se numa paisagem humana e sentimental que permanece conosco ainda quando a vida nos conduz para muito longe.

Tatuí , para mim , mais do que um lugar, representa verdadeiro estado de espírito.

É saudade que conforta.

É memória que ilumina.

É raiz que sustenta.

É identidade que permanece.

É orgulho que se proclama.

É felicidade que regressa.

Por isso, cada vez que revejo Tatuí, sinto que não retorno apenas a um lugar: retorno à nascente da minha própria existência. Reencontro ruas, paisagens, lembranças e emoções, mas, sobretudo, reencontro algo de mim mesmo que jamais deixou aquela terra.

Porque minha terra natal não ficou para trás. Ela me acompanha. Segue viva em mim, como emoção, como raiz, como memória, como luz interior. E quanto mais o tempo passa, mais percebo que certas origens não pertencem ao passado: acompanham-nos por toda a vida.

Posso ter percorrido outros caminhos, conhecido outras cidades, vivido outras experiências e recebido da vida tantas distinções; mas nenhuma distância e nenhuma circunstância poderiam desfazer aquilo que constitui uma das minhas mais antigas e profundas identidades:

eu sou filho de Tatuí !!! 

E digo isso não apenas como quem registra o lugar em que nasceu, mas com o orgulho sereno de quem reconhece na própria terra uma parcela essencial de sua formação e de sua alma.

Tatuí não é apenas parte da minha história.

Tatuí é parte da minha própria essência.

E, por isso, entre todas as circunstâncias que a vida incorporou à minha biografia, ser filho de Tatuí permanecerá sempre, para mim, como uma honra, um privilégio e um motivo permanente de profunda e comovida alegria.

CELSO DE MELLO

Um comentário em ““A HONRA DE SER TATUIANO” – ARTIGO DO MINISTRO APOSENTADO CELSO DE MELLO (STF) – ESPECIAL PARA O JORNAL INTEGRAÇÃO ON-LINE – 21/8/2026”

  1. Que orgulho ter Ministro Celso de Mello honrado de ser tatuiano. Exemplo de cidadão. Exemplo de humildade e simpatia. Obrigado, Ministro. Honra-me dizer que sou tatuiano, terra de Celso de Mello.

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