JORNAL INTEGRAÇÃO ON-LINE – HOMENAGEM AO PREFEITO JOAQUIM AMADO “VEIO QUEVEDO PELA VEREADORA ELAINE MIRANDA – EDIÇÃ0 DE 17/3/2026

Postagem 16/3/2026 – 11h50

VEREADORA PRESTA HOMENAGEM AO PREFEITO VEIO QUEVEDO

Na segunda-feira (16), a vereadora Elaine Miranda (foto), apresentou projeto de lei na Câmara Municipal de Tatuí que, se aprovado, vai acrescentar no nome da força municipal de segurança, a denominação de “Guarda Civil Municipal Prefeito Joaquim Amado “Veio” Quevedo”, em justa homenagem a quem exerceu dois mandatos na Prefeitura de Tatuí (1983/1987 e 1993/1996). Fundamenta a parlamentar que “o presente Projeto de Lei tem por finalidade prestar justa, solene e permanente homenagem ao ex-Prefeito Municipal Joaquim Amado “Véio” Quevedo, outorgando à Guarda Civil Municipal de Tatuí com o seu nome, como forma de reconhecimento à sua trajetória pública e, especialmente, à sua contribuição decisiva para a criação da Corporação em nosso Município.

O Jornal Integração On-line teve a primazia de receber cópia do projeto, no domingo (15), antes de ser protocolado na Câmara Municipal de Tatuí. Na sessão desta segunda-feira (16), o projeto de lei da vereadora Elaine foi lido na Mesa de trabalho.

“Veio Quevedo” dá uma reviravolta na história de Tatuí

Em 1983, Joaquim Amado Veio Quevedo deu uma verdadeira reviravolta na politica de Tatuí. Ao concorrer pelo MDB, como “azarão” a titular do Poder Executivo, desbancou partidos que dominavam a política de Tatuí. E a cidade iniciou uma nova história, com um líder carismático, que nasceu das massas e dos esquecidos residentes em bairros periféricos de Tatuí. Em 1992, sua segunda eleição para prefeito foi um verdadeiro “furacão” de votos. No colégio eleitoral tatuiano, na disputa de três candidatos, Véio Quevedo conquistou 22 mil votos, o segundo lugar obteve 8 mil e o terceiro 6 mil. Esse resultado consagrou sua liderança carismática. E a vereadora Elaine confirma essa afirmação, na justificativa de seu projeto: “Joaquim Amado Quevedo, carinhosamente conhecido pela população como “Véio Quevedo”, construiu uma trajetória profundamente ligada à vida pública de Tatuí. Antes de exercer o cargo de Prefeito, teve expressiva atuação no Poder Legislativo, tendo sido eleito vereador e presidido a Câmara Municipal no biênio 1977–1978, demonstrando, desde cedo, vocação para a vida pública, liderança política e compromisso com os interesses da cidade”. E acrescenta: “É importante destacar que o presente reconhecimento não tem caráter meramente simbólico. Ele possui também valor educativo, histórico e moral. Cidades que honram seus construtores demonstram maturidade institucional. Municípios que preservam a memória de seus homens e mulheres públicos ajudam a formar uma consciência coletiva de pertencimento, gratidão e continuidade administrativa”.

Veio Quevedo iniciava manhãs de trabalho com os funcionários públicos municipais, no “Mangueirão”. Ele se reunia com os funcionários braçais, que iam à luta diária para conservar as ruas e os acompanhava no café da manhã. Outra característica diferente de agir, acontecia em seu gabinete, na Prefeitura. Semanalmente, dedicava um dia inteiro de expediente para ouvir os munícipes, sem exceção, em suas reivindicações e apelos, a assuntos relacionados com o Poder Público Municipal.

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DUAS ADMINISTRAÇÕES PRODUTIVAS PARA TATUÍ

 As duas administrações de Veio Quevedo (foto), foram produtivas em aspectos importantes para o desenvolvimento do município na área social, ensino, saúde e infraestrutura básica para a população de Tatuí. “Véio” tinha a virtude de saber ouvir, característica nata nele. Reuniu assessores competentes e alguns exerceram trabalho voluntário, que corroboram com a justificativa da vereadora Elaine: “Reconhecer pessoas que se dedicaram à construção do nosso Município é um dever de justiça. É um gesto de respeito à história de Tatuí, às instituições públicas e àqueles que trabalharam para fortalecê-las”.

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Abaixo algumas das suas realizações

– Projeto Ayrton Senna (professores Acassil Camargo e Quincas) – Nasceu como Projeto Alfa. Acassil destinou gratuitamente as instalações da escola (hoje, Colégio Objetivo), para atender 600 crianças de escolas públicas. Sempre no contraturno das aulas regulares. O aluno ficava o dia inteiro na escola. E possuía posição estratégica. Ao lado da Pista Municipal de Atletismo, com a finalidade de oferecer esporte olímpico aos alunos. E alguns se revelaram e hoje até fazem parte da administração municipal. A ideia era para que prefeitos sucessores construíssem mais três unidades, em pontos diferentes de Tatuí, para atender 2.400 alunos.

 – Guarda Civil Municipal (José Orlando da Cruz e Coronel João Carlos Rumin Crepaldi) – Na época, foi um projeto ousado e agora colhe os benefícios plantados há 30 anos. A escolha do Coronel Rumin foi estratégica. Recém reformado da Polícia Militar, organizou a Guarda Civil Municipal, com objetivos claros de segurança urbana e elaborou os estatutos, assistido pela assessoria jurídica da Prefeitura.

– Projeto Mães Crecheiras (Veio Quevedo) – Um projeto inédito para resolver, à época, vagas para crianças em creches. Contratava-se uma dona de casa em bairros e as crianças recebiam atendimento e alimentação, sempre monitorados pela área de Educação da Prefeitura. Em 1994, o ministro Celso de Mello (STF), em uma decisão abrangente a todo o Brasil, criou a obrigatoriedade de as prefeituras disponibilizarem vagas em creches para todas as crianças do País. E esse monitoramento e fiscalização está sob a responsabilidade do Ministério Público (Promotoria Pública).

– Programa de Pré-escolas (professor Ciro Rodrigues Alves) – A preocupação com crianças de Tatuí em idade de frequentar pré-escolas se difundiu em bairros periféricos, para atender trabalhadores de baixa renda.

 Cat-Sesi Wilson Sampaio – (Acassil José de Oliveira Camargo e José Felício Castelano (Gijo) – Veio Quevedo viabilizou e iniciou a instalação do Cat-Sesi em Tatuí. O complexo esportivo foi concluído na administração do ex-prefeito Wanderley Bocchi. José Felício Castellano, ex-deputado estadual e superintende do Sesi no estado de São Paulo, fez questão de convidar o ex-prefeito Veio Quevedo para descerrar a fita de inauguração. Um segredo a ser revelado. As unidades do Cat-Sesi só eram construídas em municípios acima de 100 mil habitantes. E Tatuí, na época, contava com 80 mil habitantes. Através de lideranças políticas locais, que pensavam somente no desenvolvimento da cidade, foi contornada essa situação.

 – Asfalto da pista de pousos e decolagens do aeroporto de Tatuí (Veio Quevedo e Acassil José de Oliveira Camargo). – A assinatura de autorização para asfaltar a pista foi realizada em cerimônia no aeroclube de planadores. No momento da assinatura, Veio Quevedo, com a caneta na mão, vira para o Acassil  e diz: – Estou assinando essa autorização só por causa de você! Eram as visões a longo prazo do professor Acassil. Segundo consta, no futuro, está prevista a permissão de tráfego aéreo apenas em um raio acima de 100 quilômetros dos aeroportos internacionais. E o de Tatuí está a 110 quilômetros. Se não construírem outro, o aeroporto local   vai poder operar normalmente com suas aeronaves.

– Merenda escolar (Veio Quevedo) – A grande preocupação do prefeito Veio Quevedo era em relação à alimentação das crianças. Sua assessoria dotou as escolas de equipamentos de cozinha e a função de cozinhar era das merendeiras. E o alimento deveria ser farto e de primeira qualidade. Muitos populares ainda lembram como seus filhos eram atendidos pela Prefeitura.

– Festas Populares (Veio Quevedo e o voluntário Mário Shazan) – As festas populares como carnaval, shows de artistas, cerimônias cívicas na Concha Acústica visavam apenas atender os anseios da população. Não havia preocupação com grande número de patrocinadores, como agora aparecem nos cartazes de publicidade. Quando assumiu pela segunda vez, parte da concha acústica havia desabado. Era impraticável utilizar esse local para diversões e apresentações públicas. Sem alardes, consertou o estrago deixado e devolveu o local de lazer para a população.

– Asfalto da Vicinal da Quadra (vereadores Aroldo Rosa da Silva, Amado de Jesus Miranda (Amadão) e Antonio Perosa, já falecido, superintendente do DER). A Quadra ainda pertencia à Tatuí e o Departamento de Estradas e Rodagens (DER), por ordem de serviço de Antonio Perosa, iniciou a pavimentação da estrada Tatuí/Quadra. A empresa responsável pela obra, realizou pavimentação de primeira qualidade. Muitos anos se passaram e até hoje o elo de ligação entre os dois municípios apresenta asfalto de primeira qualidade e sem problemas estruturais.

– Ampliação do Cemitério da Quadra (Veio Quevedo, Armando Rodrigues e Hilda Sebastiani Rodrigues) – A Quadra era distrito de Tatuí, o cemitério estava saturado e necessitava ampliação. Como o local faz divisa com a fazenda do casal Rodrigues, já falecidos, os proprietários doaram o terreno para ampliação. Após a assinada da escritura de doação, Veio Quevedo fez questão de ir à residência do casal e agradecer esse ato de benemerência. O atual prefeito da Quadra está adquirindo uma área ao lado do cemitério, da família Casemiro. para ampliar novamente o “campo santo”.

– Centro Cirúrgico e UTI da Santa Casa de Tatuí (José Orlando da Cruz e secretário estadual Nader Waffae) – A construção do centro cirúrgico e UTI caminhava a passos lentos. José Orlando da Cruz, então presidente do MDB e da assessoria de Veio Quevedo, compareceu em um encontro político, na cidade de Boituva, com a presença de Nader Waffae, secretário estadual de Saúde. Neste ato entregou reivindicação ao secretário e reivindicou verbas para dar andamento e conclusão da obra. O secretário se sensibilizou com o pedido para servir a comunidade, e enviou a verba necessária para a conclusão. Na inauguração, Waffae já nem era o secretário da Saúde, mas foi convidado para a solenidade. Ele recebeu uma placa de prata, entregue por José Orlando, em reconhecimento à sua sensibilidade política, em prestar esse grande serviço para a população de Tatuí.

 – Pontes e viadutos (engenheiro Rafael Peixoto de Camargo, já falecido). No início do segundo mandato, o viaduto da Fepasa (Rumo), na Rua Teófilo de Andrade Gama, caiu e foi interrompido o tráfego no “Boqueirão”, como sempre foi conhecido. Uma improvisação resolveu momentaneamente o problema. O engenheiro Rafael Peixoto de Camargo, em apenas seis meses, construiu um novo viaduto. E sem chorumelas, como também ocorreu na reconstrução da ponte do Marapé, pela prefeita Maria José Vieira de Camargo. Durante a gestão de Quevedo, Rafael construiu outras obras e viadutos. Ponte sobre o Rio Tatuí (Jardim Santa Rita de Cássia) e a primeira ponte que deu a oportunidade à administração de Maria José, para interligar a Avenida Pompeo Reali, Condomínio “Bosques do Junqueira” até a estrada Senador Estadual “Laurindo Minhoto”. Rafael era especialista em construção de viadutos e pontes e suas construções permanecem até hoje intactas.

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A ÍNTEGRA DO PROJETO DE LEI PROTOCOLADO NA CÂMARA 

PROJETO DE LEI Nº ____ / 2026

Autoria: Vereadora Elaine Miranda

Dispõe sobre a denominação da Guarda Civil Municipal de Tatuí como “Guarda Civil Municipal Joaquim Amado ‘Véio’ Quevedo”, em reconhecimento à sua contribuição histórica para a criação da Corporação, e dá outras providências.

A CÂMARA MUNICIPAL DE TATUÍ aprova:

Art. 1º Fica denominada “Guarda Civil Municipal Joaquim Amado ‘Véio’ Quevedo” a atual Guarda Civil Municipal de Tatuí, em reconhecimento à relevante contribuição histórica do ex-Prefeito Municipal Joaquim Amado Quevedo para a criação e implantação da Corporação no Município.

Art. 2º A denominação instituída por esta Lei poderá constar, gradativamente, da comunicação institucional, administrativa e visual da Corporação, inclusive, no que couber, em:

I – fachadas, placas e letreiros de prédios e unidades vinculadas à Guarda Civil Municipal;

II – viaturas, bases operacionais e demais bens de identificação institucional;

III – documentos oficiais, formulários, impressos e materiais de expediente;

IV – uniformes, brasões, distintivos, emblemas e demais elementos de identidade visual;

V – meios de comunicação digital, sítios eletrônicos, redes institucionais e materiais publicitários;

VI – materiais educativos, informativos e de divulgação pública.

Art. 3º O Poder Executivo poderá promover, de forma planejada e gradativa, a adequação da identidade visual e da nomenclatura oficial da Corporação ao disposto nesta Lei, observadas a conveniência administrativa e a disponibilidade orçamentária.

Art. 4º A implementação da nova comunicação visual poderá, sempre que possível, ocorrer de forma progressiva, com o aproveitamento das substituições naturais de materiais, uniformes, adesivagens, documentos e demais itens institucionais, de modo a atender aos princípios da economicidade e da eficiência administrativa.

Art. 5º Esta Lei poderá ser regulamentada pelo Poder Executivo, no que couber, para fins de padronização da aplicação da nomenclatura e da identidade visual da Corporação.

Art. 6º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICATIVA

Submeto à apreciação dos nobres pares o presente Projeto de Lei, que tem por finalidade prestar justa, solene e permanente homenagem ao ex-Prefeito Municipal Joaquim Amado “Véio” Quevedo, denominando a Guarda Civil Municipal de Tatuí com o seu nome, como forma de reconhecimento à sua trajetória pública e, especialmente, à sua contribuição decisiva para a criação da Corporação em nosso Município.

Trata-se de uma proposta que ultrapassa o simples ato formal de nomear um órgão público. O que se pretende, aqui, é preservar a memória administrativa de Tatuí, valorizar aqueles que ajudaram a construir suas instituições e reafirmar, perante a população e as futuras gerações, que o serviço público sério, comprometido e transformador merece ser reconhecido.

Joaquim Amado Quevedo, carinhosamente conhecido pela população como “Véio Quevedo”, construiu uma trajetória profundamente ligada à vida pública de Tatuí. Antes de exercer o cargo de Prefeito, teve expressiva atuação no Poder Legislativo, tendo sido eleito vereador e presidido a Câmara Municipal no biênio 1977–1978, demonstrando, desde cedo, vocação para a vida pública, liderança política e compromisso com os interesses da cidade.

Posteriormente, foi eleito Prefeito Municipal de Tatuí por dois mandatos, exercendo papel relevante em períodos marcantes da história local. Sua atuação ficou associada a uma administração próxima da população, com forte presença nos bairros, diálogo com a comunidade e atenção às necessidades concretas do Município. Seu nome ficou ligado a uma forma popular e participativa de governar, em um tempo em que a cidade vivia processos de crescimento urbano, expansão territorial e ampliação das demandas por infraestrutura e serviços públicos.

Ao longo de sua vida política, Joaquim Amado Quevedo demonstrou compreender que governar não é apenas administrar estruturas, mas também antecipar necessidades e construir bases sólidas para o futuro. Foi exatamente nessa visão de futuro que se inseriu um de seus maiores legados institucionais: a criação da Guarda Civil Municipal de Tatuí.

A história da segurança pública municipal em Tatuí guarda, de forma indiscutível, a marca de sua gestão. Foi durante seu mandato que se concretizou a criação da Guarda Civil Municipal, por meio da Lei Municipal nº 2.823, de 21 de julho de 1995, tendo a Corporação iniciado suas operações em 1º de fevereiro de 1996. Esse fato não representa apenas uma data administrativa. Representa uma virada histórica na organização da proteção municipal, consolidando, em Tatuí, uma estrutura própria voltada à proteção de bens, serviços e instalações públicas, ao apoio preventivo e à presença institucional do Município na promoção da ordem e da segurança comunitária.

Em uma época em que a segurança pública ainda era vista, majoritariamente, como atribuição exclusiva das forças estaduais, a criação da Guarda Civil Municipal revelou sensibilidade administrativa, coragem política e compromisso com a proteção da população e do patrimônio público. Foi uma decisão que exigiu visão, planejamento e firmeza de propósito. Ao apoiar e efetivar a implantação da GCM, Joaquim Amado Quevedo ajudou a deixar para Tatuí não apenas uma estrutura administrativa, mas um legado institucional permanente, que se fortaleceu ao longo dos anos e hoje integra, de forma essencial, a vida da cidade.

É importante destacar que o presente reconhecimento não tem caráter meramente simbólico. Ele possui também valor educativo, histórico e moral. Cidades que honram seus construtores demonstram maturidade institucional. Municípios que preservam a memória de seus homens e mulheres públicos ajudam a formar uma consciência coletiva de pertencimento, gratidão e continuidade administrativa.

Vivemos um tempo em que, muitas vezes, se fala em progresso sem lembrar quem lançou os primeiros alicerces. Por isso, reconhecer Joaquim Amado “Véio” Quevedo é também afirmar que nenhuma instituição nasce do acaso. A Guarda Civil Municipal de Tatuí existe, hoje, porque, em determinado momento da nossa história, houve quem entendesse sua necessidade e lutasse para orta-la realidade. Valorizar essa origem é valorizar a própria Corporação.

A proposta também contempla a possibilidade de atualização gradual da comunicação visual da GCM, para que a homenagem não fique restrita ao texto legal, mas passe a integrar, de forma concreta e visível, a identidade institucional da Corporação. A inclusão do nome do homenageado em viaturas, prédios, documentos, materiais institucionais, meios digitais e elementos visuais fortalece a memória pública e dá efetividade à homenagem aprovada por esta Casa. Ao mesmo tempo, o projeto observa os princípios da razoabilidade, da eficiência e da economicidade, ao prever que eventual implantação ocorra de forma planejada e progressiva, aproveitando-se as substituições naturais já realizadas pela Administração.

Reconhecer pessoas que se dedicaram à construção do nosso Município é um dever de justiça. É um gesto de respeito à história de Tatuí, às instituições públicas e àqueles que trabalharam para ortalece-las. Joaquim Amado “Véio” Quevedo deixou sua marca na política local, no desenvolvimento do Município e, de maneira muito especial, na consolidação da segurança pública municipal por meio da criação da Guarda Civil Municipal.

Trata-se, portanto, de uma homenagem justa a um homem público cuja atuação deixou marcas na história administrativa e política de Tatuí, especialmente no campo da segurança pública municipal. Dar seu nome à Guarda Civil Municipal é perpetuar, de forma digna, o reconhecimento por sua contribuição à cidade e reafirmar que Tatuí sabe honrar aqueles que lutaram por ela.

Diante do exposto, por se tratar de matéria de relevante interesse histórico, institucional e moral para o Município, solicito o apoio dos nobres Vereadores para a aprovação do presente Projeto de Lei.

Sala das Sessões, 16 de março de 2026.

Elaine Miranda

Vereadora

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DO CORAÇÃO À CABEÇA: O VOTO MAIS RACIONAL
A razão, como mecanismo para a tomada de decisões, está ampliando consideravelmente seus espaços junto aos segmentos sociais, inclusive nos setores populares, tradicionalmente conhecidos por agir intensamente sob o impacto das emoções.   Há sinais cada vez mais visíveis de que o voto no Brasil começa a deixar o terreno exclusivo da emoção para ingressar no campo da racionalidade. O eleitor continua sensível ao carisma, à empatia, aos símbolos partidários e às narrativas de identidade. Mas, diante da sequência de escândalos que atravessa a vida pública brasileira desde os tempos do mensalão, tornou-se mais desconfiado, mais exigente e mais atento. Hoje, observa com lupa o perfil dos candidatos, o conteúdo de seus discursos, a coerência entre promessas e práticas, o estilo de vida, as companhias e os interesses que os cercam. O coração ainda pulsa, mas a cabeça passou a vigiar.   Esse deslocamento não ocorreu de repente. É resultado de um processo lento de fadiga moral. O brasileiro foi submetido, por anos, a uma sucessão quase ininterrupta de denúncias, investigações, prisões, delações, CPIs e escândalos rumorosos. A política passou a ser vista, por amplas camadas da população, como um espaço contaminado por interesses inconfessáveis. Quando a confiança pública se dissolve, o eleitor deixa de ser apenas torcedor e passa a atuar como juiz. Em vez de aderir automaticamente a mitos e bandeiras, pesa, compara, desconfia, examina.   A eleição presidencial de 4 de outubro de 2026 deverá refletir esse novo espírito. O voto tende a ser menos um gesto de paixão e mais uma sentença. O eleitor não vai apenas escolher quem mais o emociona, mas quem mais se aproxima de suas necessidades concretas. E essas necessidades têm nome. Saúde, segurança pública e economia, de acordo com pesquisa recente do Instituto Datafolha, compõem hoje a trinca de maiores angústias do país. O cidadão sente o colapso da saúde pública, teme a expansão da violência e sofre com o encarecimento da vida. Hospitais sucateados, ruas inseguras, renda comprimida e alimentos caros fazem com que o eleitor cobre menos retórica e mais solução. A campanha tende a ser menos teatral e mais pragmática.   O bolso, aliás, continua sendo um dos maiores pedagogos da política. Quando a inflação morde, o romantismo eleitoral perde força. Quando o mercado, o supermercado e a farmácia impõem sacrifícios, o eleitor troca a devoção pelo cálculo. Pergunta não apenas quem fala melhor, mas quem pode entregar mais. Não quer apenas ouvir promessas; quer perceber consistência, preparo, equilíbrio e capacidade de gestão. A urna se transforma, assim, em tribunal da vida cotidiana.   Nesse ambiente de exaustão moral, escândalos recentes reforçam a impressão de que as instituições seguem vulneráveis à promiscuidade entre dinheiro, influência e poder. O caso do Banco Master produziu forte impacto. O banqueiro Daniel Vorcaro voltou a ser detido na semana passada, em investigações que envolvem corrupção, lavagem de dinheiro, ameaças e fraudes ligadas ao banco, já liquidado pelo Banco Central. O episódio ampliou a sensação de podridão sistêmica e alimentou o sentimento de que a engrenagem do poder continua capturada por interesses subterrâneos.   A perplexidade cresce quando o eleitor toma conhecimento de que Vorcaro manteve interlocução com figuras influentes do sistema político. Reportagens relataram que Lula recebeu o banqueiro em encontro no Planalto, fora da agenda oficial, embora o presidente tenha sustentado que encaminhou o assunto para tratamento técnico no Banco Central. Ainda que não haja prova de favorecimento direto, a simples proximidade entre personagens centrais da República e operadores de escândalos financeiros aprofunda o desgaste ético da política.   No mesmo cenário aparece o nome de Fábio Luís, o Lulinha, citado no âmbito da CPMI do INSS. A comissão aprovou a quebra de seus sigilos, mas a decisão foi posteriormente suspensa pelo ministro Flávio Dino. O episódio, mesmo sem conclusões definitivas, tem peso político porque reforça, no imaginário coletivo, a velha associação entre famílias de poder e zonas nebulosas da administração pública. Em tempos de saturação ética, a suspeita já produz dano eleitoral.   É nessa moldura que se ergue a pergunta central da sucessão presidencial: quem tem mais chances? Lula ou Flávio Bolsonaro? Ou haverá espaço para um nome capaz de romper a polarização? As pesquisas mais recentes apontam cenário apertado. Levantamento Datafolha divulgado em 7 de março mostrou empate técnico, em eventual segundo turno, entre Lula e Flávio Bolsonaro: 46% a 43%, dentro da margem de erro. O dado é eloquente. Mostra que Lula continua forte, mas também revela que o bolsonarismo preserva musculatura, mesmo após todo o desgaste institucional dos últimos anos.   Lula entra na disputa com atributos conhecidos: força da máquina, lembrança positiva entre faixas populares e presença nacional consolidada. Mas seu caminho está longe de ser confortável. O desgaste econômico do cotidiano, a fadiga de parte do eleitorado com o PT e a sucessão de episódios que alimentam a percepção de deterioração moral torna sua caminhada mais defensiva. Já Flávio Bolsonaro se beneficia do capital político do sobrenome, da mobilização do eleitor antipetista e do impulso dado pela bênção pública do pai. Mas carrega alta rejeição e precisará provar que é mais do que herdeiro de um espólio eleitoral.   Nesse terreno, cresce o debate sobre uma alternativa fora da guerra entre lulistas e bolsonaristas. Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Romeu Zema disputam esse espaço. Zema, em particular, não pode mais ser tratado como figura lateral. Reafirmou nesta semana que pretende levar sua candidatura presidencial “até o final”, recusando a hipótese de servir apenas como vice. Tenta se apresentar como gestor sóbrio, administrador eficiente e representante de uma direita menos estridente e mais gerencial. Sua força está na boa base mineira e no discurso de austeridade. Sua dificuldade está em romper a cerca regional e adquirir densidade nacional.   O problema desse campo alternativo é conhecido: a dispersão. Separados, esses nomes ajudam a manter viva a polarização. Unidos em torno de um projeto e de uma narrativa nacional, poderiam oferecer uma terceira via competitiva. Mas, até aqui, o centro e a centro-direita continuam padecendo do velho mal brasileiro: excesso de ambições, pouca convergência e baixa capacidade de transformar bons governadores em presidenciáveis robustos.   O fato central, porém, é outro. O eleitor brasileiro parece estar mudando de atitude. Já não se satisfaz com marketing, com messianismo, com slogans e com guerras simbólicas. Quer propostas consistentes para a saúde, para o combate à violência, para a contenção da inflação e para a recuperação da confiança institucional. Quer menos pirotecnia e mais substância. Menos culto à personalidade e mais governo.   Por isso, a eleição de 2026 poderá marcar a consolidação de uma nova etapa da cidadania eleitoral no país. O voto não deixará de ter emoção, porque política também é sentimento, memória e identidade. Mas tenderá a ser cada vez mais filtrado pela razão. E quando a razão sobe à cabine eleitoral, a urna deixa de ser altar de paixões para se transformar em tribunal de responsabilidades.  
Gaudêncio Torquato é escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor político
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