“MOTOBOY FOTÓGRAFO” INVADE CONTA BANCÁRIA

EDIÇÃO 2301 – 26-10-2024

         O caso do motoboy fotógrafo que age em Tatuí e invade contas bancárias pode ocorrer no “login” do aplicativo do banco, quando se exige a biometria facial. Uma experiência com esse procedimento leva a crer que o estelionatário já possui os dados bancários da vítima-alvo e até numeração de documentos. Nos casos registrados na Delegacia de Polícia de Tatuí, em sua maioria, são clientes do Banco Mercantil, instituição financeira destinada a pagar aposentadorias.

         No momento em que se entra no aplicativo, para fazer o primeiro “login” do dispositivo, exige-se um reconhecimento facial. E neste momento, o estelionatário pode estar exibindo a foto tirada da vítima, como alternativa para burlar o sistema de segurança do banco.

         Uma pesquisa do Idec, publicada por Letycia Bond, esclarece que sete em cada dez bancos brasileiros (75%) utilizam atualmente a biometria facial na identificação de seus clientes. O dado está na primeira fase da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2024, realizada pela Deloitte Consultoria. Ao todo, 24 bancos responderam os questionários elaborados e aplicados entre novembro de 2023 e março deste ano. As instituições que participaram da amostragem correspondem a 81% das que atuam no País. Além disso, 27 executivos do segmento concederam entrevistas à equipe da Deloitte. Após concluir o levantamento, a organização destacou o reconhecimento facial como uma das tecnologias mais adotadas pelas instituições financeiras no País. O “chatbot”, que simula um bate-papo com os correntistas, geralmente com o objetivo de esclarecer dúvidas e orientá-los, existe quase na mesma proporção de biometria, 71%.

         Em entrevista concedida à Agência Brasil, o advogado do Programa de Telecomunicações e Direitos Digitais do Idec, Lucas Marcon, explicou que, pelos termos da LGPD, os bancos precisam permitir que o cliente escolha qual medida de segurança prefere. Isso inclui, portanto, oferecer caminhos menos invasivos do que a biometria.

         “Porque outra grande preocupação que existe com a biometria, embora seja um mecanismo de segurança, é com a segurança do armazenamento desses dados. Isso poderá, depois, levar a um vazamento de dados? Eles podem ser compartilhados com outras empresas? O risco de vazamento, especialmente, é algo que traz bastante preocupação, porque se o dado biométrico de uma pessoa for vazado, em todo lugar que ela tiver cadastro biométrico estará vulnerável”, afirmou o advogado.

         Para Marcon, o ideal é que os clientes solicitem, por escrito, uma opção distinta da biometria facial. “A pessoa não pode ser obrigada a fornecer um dado que não é essencial para a prestação daquele serviço. Por mais que os bancos entendam que é um mecanismo de segurança, há vulnerabilidades e a pessoa deveria poder escolher”. (Fonte: Agência Brasil).

         Alerta da Polícia Civil de Tatuí – O investigador Israel, ao tomar conhecimento dos inúmeros casos ocorridos em Tatuí, alerta que o cidadão deve se precaver contra esses golpes. Ele aconselha que quando chegar uma encomenda não solicitada, a pessoa deve entrar em contato com a Guarda Civil Municipal (fone 199). Quando o golpe se consumar em estabelecimento bancário, procurar imediatamente a gerência da agência, pedir o bloqueio da sua conta, solicitar medida administrativa para ressarcimento e, após essas providências, registrar o Boletim de Ocorrência na delegacia. O investigador esclarece que o Banco Central mantém o telefone 145, destinado para o cidadão solicitar o bloqueio administrativo de sua conta.

Foto: Federação dos Bancários no Estado do Paraná (FEEB-PR).

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