EDIÇÃO 2286 – 6-7-2024

Fui um dos mais polêmicos políticos de Tatuí, deputado federal e minha trajetória alcançou projeção nacional. Afinal, quem sou eu?

RESPOSTA DA EDIÇÃO 2285 – 22-6-2024

        FRANCISCO DE ASSIS PEIXOTO GOMIDE – “(…)   A família em questão era a do presidente do Senado estadual, Francisco de Assis Peixoto Gomide. Tratava-se de um dos grandes do PRP; vice de Campos Sales no governo estadual, assumira a presidência do estado [equivalente ao atual governador] por um ano, entre 1897 e 1898, quando da saída do titular para ocupar a presidência da República.  Na véspera, Peixoto Gomide, depois de uma noite maldormida, amanhecera silencioso e melancólico.  Almoçara com a mulher e os quatros filhos às dez horas (‘porque o dr. Peixoto Gomide, paulista dos antigos, conservava religiosamente os velhos hábitos de nossa cidade’, anotou o jornal O Estado de S.Paulo). Depois do almoço, continuaram na sala de jantar o senador e a filha Sofia, de 22 anos.  Sofia pôs-se a fazer crochê, numa poltrona, enquanto o pai continuou à mesa, sempre silencioso, e entretendo-se (ainda segundo a reportagem do Estado) em jogar-se ao teto bolinhas de miolo de pão. 

        Passou muito tempo, depois, a andar da sala de jantar para a de visitas, da de visitas para a de jantar, sempre em silêncio.  A alturas tantas aproximou-se de Sofia, ainda entretida nos pontos do crochê, sacou o revolver Smith and Wesson e atirou na cabeça da moça.  Em seguida, ganhou a sala de visitas, sentou-se junto ao piano e atirou de novo, agora contra a própria cabeça. Estupefação geral. Os tiros, bem como gritos e choro, foram ouvidos pelos vizinhos e transeuntes da rua Benjamin Constant, no centro da cidade, onde ficava o sobrado da família. A filha morreu instantaneamente, o pai sobreviveu por vinte minutos. 

        […] O jornal O Estado de S. Paulo, em sua minuciosa cobertura, aventurou-se em território que o Correio Paulistano não ousou trilhar – as causas da tragédia.  O escolhido era o promotor público Manuel Batista Cepelos, moço de origem humilde, que a custo completara os estudos, e já se distinguia como poeta. 

        Nos últimos dias, segundo o Estado, Peixoto Gomide vinha mostrando sinais de nervosismo, e teria confidenciado a amigos que não suportava a ideia de separar-se da filha. Chegara inclusive a procurar, no sanatório do Juqueri, o psiquiatra Franco da Rocha, a quem confessara suas apreensões. 

        Outra versão, não publicada por nenhum jornal, mas que pairaria sobre o caso pelos anos vindouros, é a de que Peixoto Gomide seria pai de Batista Cepelos. Incapaz de confessá-lo, teria escolhido a via mais drástica para impedir o casamento.” 

        Geraldo Gomes Gattolini, jornalista e pesquisador, ainda nos dá outros detalhes sobre esta desventura.  Antes da tragédia do dia 20  de janeiro de 1906, Peixoto Gomide havia feito de tudo para que Sofia acabasse com o namoro, inclusive apelando para o isolamento da filha dentro de casa. Mas ela não arredou o pé e continuou com o namoro. Queria casar de qualquer jeito. 

        Após a catástrofe, Batista Cepelos passou a beber e a andar embriagado pelas ruas de São Paulo. Abandonou o emprego e poucos dias depois também colocou fim à sua vida.”

A TRAGÉDIA DE PEIXOTO GOMIDE

        “(…)  No começo do século passado (século 19), PEIXOTO GOMIDE era um dos mais influentes políticos da chamada República Velha. Porém, o relacionamento amoroso de sua filha Sofia com o promotor público e poeta Manuel Baptista Cepellos, o tirou do auge de sua glória e o lançou no mais profundo abismo de sofrimento, assim como Édipo.

        Decididos a se casarem, Peixoto se opôs violentamente à união do casal. Após um período de inúmeras discussões, o autor do livro “Diários Secretos” (1954), Humberto de Campos afirma que a moça para forçar o consentimento de Peixoto ao casamento, teria dito ao seu pai: “Mas o senhor tem que consentir, porque eu já me entreguei a ele.”.

        Peixoto Gomide ficou melancólico passando boa parte do tempo trancado em seu gabinete. No dia 20 de janeiro de 1906, sete dias antes do casamento, após um almoço familiar em sua residência no centro de São Paulo, Peixoto aproximou-se de Sofia e lhe apontou um revólver Smith & Wesson. O tiro fulminante no peito, a matou imediatamente. Logo após, vagarosamente, o político colocou o cano do mesmo revólver no ouvido, puxou o gatilho. Na primeira tentativa a arma falhou e, na segunda tentativa, findou sua própria vida.

        Na época, a sociedade paulista questionou o porquê de tamanha fatalidade, afinal Cepellos era um homem digno, promotor na cidade de Itapetininga. No já citado livro, HUMBERTO DE CAMPOS, admirador das poesias parnasianas de Cepellos, REVELA QUE PEIXOTO GOMIDE ERA PAI DO POETA BATISTA CEPELOS, NOIVO DE SUA FILHA !!!

        Após o incidente, Cepellos ficou depressivo, largou a profissão, mudou para o Rio de Janeiro e entregou-se a bebida. Vivia de trabalhos esporádicos para os jornais cariocas, indigente caminhava pelas ruas, e apesar da ajuda de amigos, não resistiu ao sofrimento, e, aos 43 anos, em 1915, jogou-se de uma pedreira em um morro carioca.

        Para Campos, o poeta Batista Cepelos sempre foi atormentado por desconhecer quem era seu pai e ao enfim, ao conhecer a verdade (A DE QUE PEIXOTO GOMIDE ERA SEU PAI ), não suportou o fardo da vida , EIS QUE A SUA NOIVA, FILHA DE PEIXOTO GOMIDE, ERA, NA REALIDADE, SUA PRÓPRIA IRMÃ ! “  (* Milton Cardoso – Professor de Arte da EE Peixoto Gomide – Especial para o jornal Correio de Itapetininga).

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