Dia 2 de novembro, quando se comemora o Dia de Finados, a visita ao Cemitério Cristo Rei, na Avenida das Mangueiras, tornou-se um dia de decepção e angústia para algumas famílias de Tatuí.
O velho cemitério tornou-se um verdadeiro enigma para localizar túmulos de familiares, pela falta de marcação para identificação e pessoas imaginam que o jazigo não existe mais. Um dos casos, presenciado pela reportagem do Jornal Integração, foi a visita de uma senhora às sepulturas de seus antepassados. Todos os familiares estão agrupados em jazigos, em um espaço delimitado do cemitério (Quadra B2). A reportagem estava presente quando a mulher não conseguiu identificar o jazigo de Oscar Azevedo e sua mulher, a professora Semíramis Turelli Azevedo, que denomina uma escola de Tatuí. Ela conseguiu informação no escritório do cemitério e encontrou o túmulo, sem identificação e quebrado. Próximo ao local, na parte antiga do cemitério, também havia um túmulo construído recentemente. Alto, de forma retangular, simples e sem identificação. Ao ser questionado, um funcionário do cemitério disse que no local havia um grande jazigo e foi derrubado.
No período da tarde, eram poucas as pessoas que visitavam o cemitério. Não foi registrada a presença como nos anos anteriores. Talvez seja ainda reflexo da pandemia da Covid-19, que afastou a população de locais públicos.
Um ex-administrador do cemitério, presente no local, questionado pela reportagem, explicou porque ocorre a falta de identificação nos túmulos e a dificuldade de encontrá-los no “campo santo”. Ele mostra como é dividido o arruamento do cemitério e suas zonas de identificação (A1, B1, B2 e outras letras), com as marcas visíveis no chão. No entanto, deve-se salientar o que ocorreu no Cemitério Cristo Rei, o mais antigo de Tatuí. Nos últimos tempos, os jazigos foram alvos de ladrões de placas de bronze. Ao observar os túmulos, notam-se identificações novas, que algumas famílias recolocaram as placas. No entanto em alguns túmulos é impossível saber quem foi sepultado.
De acordo com a atual administração do cemitério, está sendo providenciado um recadastramento dos sepultamentos e todo o manuseio dos velhos enterros ainda é manual. Para sepultar qualquer ente familiar, nos apontamentos do cemitério velho, sempre existe cadastrada uma pessoa responsável para requerer o procedimento. O que se nota, que o arquivo, condicionado somente em pastas, em uma única sala depois da reforma realizada pelo prefeito Miguel Lopes, é manuseado com destreza pelos atuais funcionários. Vale lembrar que existe uma necessidade premente de o Poder Público informatizar os registros dos velhos sepultamentos, como agora é realizado com os atuais.

