Fui empresário e inovador na cidade de Tatuí. Meu legado continua até hoje e pode ser visto em ruas da cidade. Fiz o município desenvolver em uma época em que era tudo difícil. Estradas, transporte, energia, saúde e habitação. Dificilmente, vai aparecer outro empreendedor que alavanque o desenvolvimento de nossa cidade. AFINAL, QUEM SOU EU?

RESPOSTA – EDIÇÃO 2253 – 28-10-2023

Chiquinha Gonzaga (1847-1935) – Para quem se interessa por música brasileira, impossível não conhecer Chiquinha Gonzaga. A pianista, compositora e regente é uma das personalidades mais importantes da história da nossa música popular brasileira. Ela usou sua paixão e talento pela música para quebrar barreiras e moldar a história de si mesma e de nosso país. Inspire-se conhecendo mais sobre a vida e a obra de Chiquinha Gonzaga.

A história de Chiquinha – Chiquinha nasceu no Rio de Janeiro, como Francisca Edwiges Neves Gonzaga, em 17 de outubro de 1847. Filha do militar José Basileu Alves Gonzaga com Rosa Maria Neves Lima, uma mulher negra, filha de escrava, teve uma educação bem rígida comandada pelo pai. Aprendeu a tocar piano bem cedo e já aos 11 anos concluiu sua primeira composição, a “Canção dos Pastores”.

Aos 16 anos, por vontade de seu pai, casou-se com Jacinto Ribeiro do Amaral e no mesmo ano teve seu primeiro filho. Apesar disso, jamais largou o piano, o que irritava seu marido. Não demorou muito para que o casal se separasse, causando um escândalo para a época, em que nem seu pai a aceitou de volta. Chiquinha chegou a ter outros relacionamentos, mas que nunca duravam muito. Seus filhos foram criados, majoritariamente, por outros membros da família. Seu único casamento duradouro veio aos 52 anos, quando conheceu o jovem português João Batista Fernandes Lage, de 16 anos.

A carreira musical – Após o fim do seu primeiro casamento, para sobreviver e seguir sua verdadeira vocação, ela passou a tocar piano, como trabalho. Ela frequentava e tocava nos círculos boêmios cariocas, integrando o grupo de Joaquim Callado. O primeiro sucesso de Chiquinha aconteceu aos 30 anos, em 1877, com a polca “Atraente”. Apesar da popularidade da canção, mulheres musicistas eram incomuns e não eram levadas a sério, o que gerou várias críticas.

No entanto, as críticas não a desanimaram e Chiquinha passou a se dedicar a melhorar suas habilidades, contanto com apoio do pianista português Artur Napoleão dos Santos. Com a parceria, ela levou sua carreira para o teatro. Em 1885, fez sua primeira regência na opereta “A Corte na Roça”. Tal acontecimento foi outro pioneirismo de Chiquinha, visto que não havia mulheres maestrinas na época. Mesmo assim, a opereta fez sucesso e Chiquinha passou a ser chamada para outros trabalhos musicais.

Como se não bastasse a batalha pessoal por um lugar no mercado da música sendo uma mulher, Chiquinha também era abolicionista. Ela chegou a vender partituras para apoiar confederações libertadoras e comprou a liberdade de um escravo músico que passou a trabalhar com ela.

Seu maior sucesso veio na virada do século, em 1899, com “Ó Abre Alas”. Na ocasião, ela morava no Andaraí e criou a música com base no cordão carnavalesco Rosa de Ouro. Foi a primeira música criada exclusivamente para o carnaval, iniciando o costume das marchinhas. A popularidade da música é tanta que ela é usada nos carnavais até hoje, mais de 100 anos depois.

Em 1912, sua peça de teatro “Forrobodó” bateu recordes com 1500 apresentações. Fazia parte do espetáculo a música “Lua Branca”, outro grande sucesso de Chiquinha Gonzaga. Em 1917, vendo o uso indevido de suas músicas e a disputa pela autoria delas, ajudou a criar a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat), primeira fundação de direitos autorais do país.

Seu último trabalho foi a partitura da opereta “Maria”, em 1934, com 87 anos. Ao todo, foi maestrina de mais de 70 peças, e compositora de mais de 2000 músicas. Chiquinha Gonzaga morreu em 28 de fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro.

Suas músicas fizeram grande sucesso e Chiquinha recebeu vários convites de trabalho. Em 1897, todo o Brasil dançou sua estilização da dança rural “corta-jaca”, sob a forma de “tango gaúcho”. Sua carreira ganhou prestígio com a marcha-rancho “Ó Abre Alas”, composta em 1899, a pedido dos componentes do cordão carnavalesco Rosa de Ouro:

Ô abre alas!  
Que eu quero passar (bis)
Eu sou da lira
Não posso negar (bis)  
Ô abre alas!  
Que eu quero passar (bis)  
Rosa de Ouro  
É que vai ganhar (bis).

(Fonte: Márcio Miranda Pontes – Blog Sabra)

ESCÂNDALO DO CORTA-JACA, DE CHIQUINHA GONZAGA E NAIR DE TEFFÉ

Ninguém nega a importância de Ruy Barbosa, como grande jurista, advogado, escritor e político. Mas ele também tinha suas quizilas e preconceitos. Um deles se refere ao episódio chamado “Escândalo do Corta-Jaca”, em 1914, quando foram revelados alguns dos seus preconceitos musicais, tudo isso motivado por Nair de Teffé, esposa do presidente Hermes da Fonseca, o qual derrotara Ruy Barbosa na eleição de 1910.

Nair de Teffé, caricaturista e tida como “moderninha”, casou-se com Hermes da Fonseca em 1913, após ele ficar viúvo em 1912 de sua primeira esposa, Orsina da Fonseca.

Na noite de 26 de outubro de 1914, houve um desses saraus na sede do governo, nos quais foram apresentados números musicais de música erudita, tendo na programação músicas de compositores como  Arthur Napoleão, Gottschalk, e Franz Liszt, Ao final do sarau, Nair pegou o violão (instrumento que então era considerado “menor”, associado à malandragem) e executou o Corta-Jaca, acompanhado de Catulo ….

Pela primeira vez na história do Brasil a música eminentemente popular fora executada na sede do governo, diante do corpo diplomático.  fato gerou muito disse-me-disse, havendo muitas críticas nos jornais e nos meios acadêmicos, pois havia quem considerasse inadequado música popular no Palácio do Catete, sede da Presidência da República. (Fonte: Sebastian Bam – Clássicos da Música Brasileira – Polêmicas).

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